Arquivo | dezembro 2012

Homens livros

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O Universo é uma imensa livraria. A Terra é apenas uma de suas estantes. Somos os livros colocados nela.
Da mesma maneira que as pessoas compram livros, apenas pela beleza da capa, sem pesquisarem o índice e conteúdo do mesmo, muitas pessoas avaliam os outros pela aparência externa, pela capa física, sem considerarem a parte interna.
Outras procuram livros com títulos bombásticos, sensacionalistas, histórias de terror ou romances profundos.
Também é assim com as pessoas: há aquelas que buscam sensacionalismos baratos, dramas alheios ou apenas um romance profundo ou rasteiro.
Somos homens-livros lendo uns aos outros.
Podemos ficar só na capa ou aprofundarmos nossa leitura até as páginas vivas do coração.
A capa pode ser interessante, mas é no conteúdo que brilha a essência do texto.
O corpo pode ter uma bela plástica, mas é o espírito que dá brilho aos olhos.
Também podemos ler nas páginas experientes da vida muitos textos de sabedoria. Depende do que estamos buscando na estante.
Podemos ver em cada homem-livro um texto-espírito impresso nas linhas do corpo.
Deus colocou sua assinatura divina ali, nas páginas do coração, mas só quem lê o interior descobre isso. Só quem vence a ilusão da capa e mergulha nas páginas da vida íntima de alguém, descobre seu real valor, humano e espiritual.
Que todos nós possamos ser bons leitores conscientes.
Que nas páginas de nossos corações, possamos ler uma história de amor profundo.
Que em nossos espíritos possamos ler uma história imortal.
E que, sendo homens-livros, nós possamos ser leitura interessante e criativa nas várias estantes da livraria-universo, pois somos homens-livros forever!
A capa amassa e as folhas podem rasgar. Mas, ninguém amassa ou rasga as idéias e sentimentos de uma consciência imortal.
O que não foi bem escrito em uma vida, poderá ser bem escrito mais a frente, em uma próxima existência ou além…
Mas, com toda certeza, será publicado pela editora da vida, na estante terrestre ou em qualquer outra estante por aí…
Há homens-livros de várias capas e cores, mas Deus é o editor de todos eles.

(Wagner Borges)

Ser ou Ter

alegria

Um pai, em uma situação muito confortável de vida, resolveu dar uma lição a seu filho ensinando o que é ser pobre. Ficaria hospedado por alguns dias na casa de uma família de camponeses. O menino passou três dias e três noites  vivendo no campo.

No carro, voltando para a cidade, o pai lhe perguntou: “Como foi sua experiência?”

“Boa.” respondeu o filho, com o olhar perdido à distância.

“E o que você aprendeu?”, insistiu o pai.

O filho respondeu:

“Que nós temos um cachorro e eles têm quatro. Que nós temos uma piscina com  água tratada, que chega até metade do nosso quintal. Eles têm um rio sem fim,  de água cristalina, onde têm peixinhos e outras belezas. Que importamos lustres do Oriente para iluminar nosso jardim, enquanto eles têm as estrelas  e a lua para iluminá-los. Nosso quintal chega até o muro. O deles chega até o horizonte. Compramos nossa comida e esquentamos em microondas, eles cozinham em fogão à lenha. Ouvimos CD’s, Mp3, eles ouvem a  sinfonia de pássaros, sapos, grilos, tudo isso às vezes acompanhado pelo  sonoro canto de um vizinho trabalhando sua terra. Para nos protegermos  vivemos rodeados por um muro, com alarmes… Eles vivem com suas portas abertas, protegidos pela amizade de seus vizinhos. Vivemos conectados ao  celular, ao computador, sempre plugados, neuróticamente atualizados. Eles  estão “conectados” à vida, ao céu, ao sol, à água, ao campo, animais, às suas  sombras, à sua família.”

O pai ficou impressionado com a profundidade de seu filho e então o filho  terminou: “Obrigado, pai, por ter me ensinado o quanto somos pobres! “

Aí estão, as grandes obras de Deus. Um tapete sobre nossos pés e estendido nos céus. Temos olhos para enxergar, ouvidos para escutar, mas falta a  humildade em nossa mente e coração para poder sentir. 

Esta é a diferença entre o pobre e o rico, entre o ter e o ser.

Que possamos nos sentir verdadeiramente pobres para poder crescer.

(Autor desconhecido)

Emancipação da alma

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Quando o corpo repousa, o Espírito dispõe de mais faculdades que no estado de vigília. Tem lembrança do passado e às vezes a previsão do futuro; adquire mais poder e pode entrar em comunicação com os outros Espíritos, seja deste mundo, seja de outro. O sono liberta parcialmente a alma do corpo. Quando o homem dorme, momentaneamente se encontra no estado em que estará de maneira permanente após a morte.

Os Espíritos que logo se desprendem da matéria, ao morrerem, tiveram sonhos inteligentes. Esses Espíritos, quando dormem, procuram a sociedade  dos que lhes são superiores: viajam, conversam e se instruem com eles; trabalham mesmo em obras que encontram concluídas, ao morrer. Destes fatos deveis aprender, uma vez mais, a não ter medo da morte, pois morreis todos os dias, segundo a expressão de um santo.

O sono é a porta que Deus lhes abriu para o contato com os seus amigos do céu; é o recreio após o trabalho, enquanto esperam o grande  livramento, a libertação final, que deve restituí-los ao seu verdadeiro meio.

O sonho é a lembrança do que o vosso Espírito viu durante o sono; mas podemos observar que nem sempre sonhamos, porque nem sempre nos lembramos daquilo que vimos, ou de tudo o que vimos. Isso porque não temos a nossa alma em todo o seu desenvolvimento; freqüentemente não nos resta mais do que a lembrança da perturbação que acompanha a nossa partida e a nossa volta, a que se junta a lembrança do que fizemos ou do que nos preocupa no estado de vigília. Sem isto, como explicar os sonhos absurdos, a que estão sujeitos tanto os mais sábios  quanto os mais simples? Os maus Espíritos também se servem dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilânimes.

De resto, dentro em pouco veremos desenvolver-se uma outra espécie de sonhos; uma espécie tão antiga como a que conhecemos, mas que ignoramos. 

O sonho de Joana, o sonho de Jacó, o sonho dos profetas judeus e de alguns adivinhos indianos: esse sonho é a lembrança da alma inteiramente  liberta do corpo, a recordação dessa segunda vida. Procuremos distinguir bem essas duas espécies de sonhos, entre aqueles de que nos lembramos;  sem isso, cairemos em contradições e em erros que seriam funestos para a nossa fé.

Não recordamos sempre dos sonhos, porque o que chamamos sono é somente o repouso do corpo, porque o Espírito está sempre em movimento. No sono,  ele recobra um pouco de sua liberdade e se comunica com os que lhe são caros, seja neste ou em outros mundos. Mas, como o corpo é de matéria  pesada e grosseira, dificilmente conserva as impressões recebidas pelo Espírito, mesmo porque o Espírito não as percebeu pelos órgãos do corpo.

Quando vemos em sonhos pessoas vivas, que conhecemos perfeitamente, praticarem atos em que absolutamente não pensam, isso não é efeito de pura  imaginação, seus Espíritos podem vir visitar-nos, assim, como podemos visita-los, e nem sempre sabemos o que pensam. Além disso, freqüentemente  aplicamos, a pessoas que conhecemos, e segundo os nossos desejos, aquilo que se passou ou se passa em outras existências.

Não é necessário o sono completo, para a emancipação do Espírito. O Espírito recobra a sua liberdade quando os sentidos se entorpecem; ele aproveita, para se emancipar, todos os instantes de descanso que o corpo lhe oferece. Desde que haja prostração das forças vitais, o Espírito  se desprende, e quanto mais fraco estiver o corpo, mais o Espírito estará livre.

Fonte: “O Livro dos Espíritos” – Allan Kardec

Milagres da vida

riscos

É preciso correr riscos. Só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça.

Todos os dias Deus nos dá – junto com o sol – um momento em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes. Todos os dias procuramos fingir que não percebemos este momento, que ele não existe, que hoje é igual à ontem – e será igual à amanhã.

Mas, quem presta atenção ao seu dia, descobre o instante mágico.

Ele pode estar escondido na hora em que enfiamos a chave na porta pela manhã, no instante de silêncio logo após o jantar, nas mil e uma coisas que nos parecem iguais. Este momento existe – um momento em que toda a força das estrelas passa por nós, e nos permite fazer milagres.

A felicidade às vezes é uma bênção – mas geralmente é uma conquista.

O instante mágico do dia nos ajuda a mudar, nos faz ir em busca de nossos sonhos.

Vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões – mas tudo é passageiro, e não deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé.

Pobre de quem teve medo de correr os riscos. Porque este talvez não se decepcione nunca, nem tenha desilusões, nem sofra como aqueles que têm um sonho a seguir. Mas quando olhar para trás – porque sempre olhamos para trás – vai escutar seu coração dizendo: “o que fizeste com os milagres que Deus semeou por teus dias? O que fizeste com os talentos que teu Mestre te confiou? Enterraste fundo em uma cova, porque tinhas medo de perdê-los. Então, esta é a tua herança: a certeza de que desperdiçaste tua vida”.

Pobre de quem escuta estas palavras. Porque então acreditará em milagres, mas os instantes mágicos da vida já terão passado.

Fonte: Do livro  “Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei” – Paulo Coelho