Arquivo | julho 2012

Espiritualidade versus Religião

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Se considerarmos as religiões mais importantes do mundo sob uma perspectiva mais ampla, descobriremos que todas elas – budismo, cristianismo, hinduísmo, islamismo, judaísmo, siquismo, zoroastrismo e outras – visam ajudar o homem a alcançar uma felicidade duradoura. E todas, na minha opinião, são capazes de proporcionar tal coisa. Nessas circunstâncias, é ao mesmo tempo desejável e útil que haja uma grande variedade de religiões promovendo os mesmos valores básicos.

Não que eu sempre tenha pensado assim. Quando era mais jovem e vivia no Tibet acreditava de todo o coração que o budismo era o melhor caminho. Dizia a mim mesmo que seria maravilhoso se todos se convertessem a ele. Entretanto, isso se devia à minha ignorância. Quando cresci, aos poucos pude aprender mais sobre as outras religiões do mundo. Depois de ir para o exílio, principalmente, comecei a encontrar pessoas que, tendo dedicado a vida inteira a diferentes crenças – algumas através da oração e da meditação, outras servindo aos outras ativamente, tinham adquirido uma vasta experiência a respeito das tradições próprias a cada uma dessas crenças. Essas trocas pessoais de conhecimentos ajudaram-me a reconhecer o enorme valor das grandes tradições de fé e levaram-me a respeitá-las profundamente.

Para mim, o budismo continua sendo o caminho mais precioso. Corresponde melhor a minha personalidade. Mas isto não significa que eu acredite ser a melhor religião para todas as pessoas, da mesma forma como não acredito ser necessário que todos tenham uma crença religiosa.
Na realidade, creio que  há uma importante distinção a ser feita entre religião e espiritualidade.  Julgo que a religião esteja relacionada com a crença no direito à salvação pregada por qualquer tradição de fé, crença esta que tem como um de seus principais aspectos a aceitação de alguma forma de realidade metafísica ou sobrenatural, incluindo possivelmente uma idéia de paraíso ou nirvana. Associados a isso estão ensinamentos ou dogmas religiosos, rituais, orações, e assim por diante.

Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano – tais como amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia – que trazem felicidade tanto para a própria pessoa quanto para os outros. É por isso que às vezes digo que talvez se possa dispensar a religião. O que não se pode dispensar são essas qualidades espirituais básicas.
Cheguei à conclusão de que não importa muito se uma pessoa tem ou não uma crença religiosa. Muito mais importante é que seja uma boa pessoa.

Dalai Lama

Fonte: Do livro “Uma Ética para o Novo Milênio” – Sua Santidade, O Dalai Lama

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Viver segundo os princípios do Relógio de Sol

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Vocês já viram um relógio de sol? Trata-se basicamente de um disco com as horas gravadas e um pino fixado perpendicularmente a ele; quando os raios do sol incidem sobre o pino, a sombra deste projeta-se na superfície do disco, indicando assim, a hora. Logicamente, sem sol, não se pode ler as horas nesse relógio. Existem relógios de sol que trazem a seguinte inscrição em seu disco: ” I record none but hours of sunshine” (Eu registro apenas as horas em que o sol brilha).

O homem também pode registrar apenas as horas em que o sol brilha – e eu chamo a isso o modo de viver segundo os princípios do relógio do sol. Faça o possível para registrar apenas as horas radiantes, ou seja, lembre e fale somente de momentos alegres e felizes; use o poder criador da palavra para expressar a alegria. Eis o segredo da felicidade.

Se toda a humanidade passar a viver conforme os princípios do relógio do sol, registrando somente as coisas boas, alegres e positivas na mente, e expulsando sem demora as recordações desagradáveis, pensamentos tristes ou imaginações sombrias, quão alegre e feliz se tornará este mundo.

Por que será que muitas pessoas ficam se lembrando e falando de infelicidade, aborrecimentos, ódio, ciúme, humillhações, etc., com que se deparam? É por desconhecimento da lei mental e do poder criador da Palavra. Essas pessoas precisam aprender que: manifesta-se tudo aquilo que se pensa e fala; precisam saber que  a infelicidade continua existindo somente quando se fica com a mente presa a ela, e se fala nela com frequência.

Seja como um relógio de sol, que marca apenas as horas brilhantes. De que adianta ficar guardando a tristeza no coração, indefinidamente? De que adianta ficar lembrando as perdas sofridas? O mundo em nada se beneficiará com o fato de ficarmos desalentados, remoendo os nossos fracassos .

Quando você ficar com a mente presa a pensamentos desagradáveis, ou se sentir dominado pelo ódio, ira, ciúme ou desejo de vingança, pense que “sua mente está sendo assaltada por ladrões que pretendem roubar o tesouro chamado felicidade”.

Fonte: Do livro “A verdade da vida” (Volume 7 – Vida Cotidiana) – Masaharu Taniguchi

 

O poder do riso

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O riso além de tornar sadia e alegre a pessoa que ri, também beneficia os que a cercam. Uma pessoa alegre espalha saúde e felicidade ao seu redor. Não há quem não se sinta feliz quando alguém lhe dirigi um sorriso franco, alegre e cheio de bondade. Se um médico sabe sorrir assim, os pacientes podem recuperar a saúde só de olhar para ele.
O riso alegre e espontâneo é, realmente, o melhor tônico que a natureza nos deu. Quando damos umas boas gargalhadas, a nossa função fisiológica torna-se ativa. Normaliza-se a circulação sanguínea, aumenta o poder defensivo dos glóbulos brancos contra as infecções e torna-se ativa a capacidade natural de cura do organismo. Por isso, nos lares das pessoas que vivem com a mente alegre e repleta de gratidão, nenhum inimigo chamado “doença” poderá entrar.
Como disse  William James, filósofo e psicológo norte-americano, “a fisionomia reflete os pensamentos, mas, por outro lado, os pensamentos também sofrem a influência da expressão fisionômica”. Por isso, quanto mais triste se sentir, mais você precisa rir. Quando o riso sobrepujar a tristeza, esta desaparecerá.
Felizes são os que sempre conseguem rir livre e alegremente, a pleno pulmões. De cada indivíduo emana uma atmosfera que lhe é peculiar, a qual desempenha um trabalho independente dos serviços que ele executa. Se a atmosfera emanada de uma pessoa dá alegria e vida ao ambiente onde trabalha, só por isso essa pessoa já está exercendo um grande trabalho. Uma pessoa que, apesar de eficiente, exala uma atmosfera pesada, fria e sombria, deve treinar bastante para aprender a rir alegremente, a fim de expulsar tal atmosfera desagradável. O destino transforma-se conforme a transformação da atitude mental. À medida que vão caindo as barreiras da mente, tudo em nossa vida vai melhorando: desde a saúde pessoal até o ambiente em que vivemos – porque as pessoas ao nosso redor passam, com naturalidade, a nos tratar bem.

Fonte: Do livro “A verdade da vida” (Volume 7 – Vida Cotidiana) – Masaharu Taniguchi

A verdadeira essência da vida

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A verdadeira essência da vida expressa na Luz e no Amor com o qual foi tecido em seus diversos planos Todo o Universo, compõe-se integralmente de energia sutil e invisível. É esta mesma energia imponderável que reveste o vosso Espírito a cada encarnação, manipulando a roupagem carnal segundo as suas necessidades.

Não vos apegueis em demasia como sofregadamente tendes feito, porque a vossa passagem pelo plano físico é temporária e fugidia. Os bens materiais que vos foram outorgados provisoriamente, não acompanharão o vosso trajeto quando fizerem o percurso de volta para uma outra dimensão, a qual denominais morte. Todos os recursos materiais que vos são oferecidos generosamente, extraídos do Grande Reservatório Universal, são bens comuns ao Universo que momentaneamente servem de auxiliares em vosso aprendizado. A saúde só será possível de expressar-se nos quatro corpos inferiores se for a decorrência da perfeita saúde nos pensamentos e sentimentos. Educai-vos na Escola da Vida policiando as suas ações e pensamentos para que vertam somente o Bem.

As práticas meditativas e contemplativas são ferramentas de que se utiliza o Espírito para acionar as Forças Internas Crísticas. Equilibrai as vossas atividades externas com as do espírito, para vos recompordes da exaustão devido ao extenso desgaste energético. Eu associado à Vossa Presença Eu Sou aguardamos esperançosos o vosso chamado.

Mestre Morya

Fonte: Do livro “O Eu Sou de Cada Um” de Priscila Braga Cardoso Pinto

Oito semanas de meditação provocam alterações cerebrais

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Uma equipe de psiquiatria do Hospital Geral de Massachusetts (EUA) realizou o primeiro estudo sobre como a meditação afeta o cérebro. As conclusões, recentemente publicadas no «Psychiatry Research», referem que a prática regular – até oito semanas – pode levar a alterações consideráveis em determinadas regiões cerebrais, relacionadas com a memória, a autoconsciência, a empatia e o stresse.

A investigação sugere que a transformação é benéfica para a saúde física e mental. Apesar de ser uma prática relacionada com a tranquilidade e o relaxamento, os médicos já confirmaram que “proporciona benefícios cognitivos e psicológicos persistentes durante um dia inteiro”, segundo referem os cientistas norte-americanos.

O trabalho mostra que as alterações presentes na estrutura cerebral podem estar relacionadas com esse rendimento. A autora da investigação, Sara Lazar, já tinha realizado estudos onde tinha encontrado diferenças estruturais no cérebro dos profissionais da meditação, ou seja, em pessoas com experiência neste tipo de práticas, em relação a outras pessoas sem antecedentes. As diferenças mais significativas verificaram-se na espessura do córtex cerebral, especialmente em áreas associadas à atenção e integração emocional. Na investigação corrente, a equipe utilizou imagens por ressonância magnética da estrutura cerebral de 16 voluntários, durante duas semanas antes e depois de realizarem um curso de meditação de oito semanas – programa definido pela Universidade de Massachusetts, para reduzir o estresse. O curso previa reuniões semanais, que incluíam a prática de meditação consciente, centrada na consciência e sem prejuízo de sensações e sentimentos, os voluntários receberam gravações em áudio para continuarem o exercício em casa.
 

Alteração da massa cinzenta

Cada participante passou 27 minutos por dia a meditar, praticando os exercícios recomendados. Respostas a um questionário assinalavam melhorias significativas, comparativamente às semanas anteriores. A análise das imagens por ressonância magnética mostrou uma evolução na massa cinzenta, localizada no hipocampo – zona cerebral implicada na aprendizagem, memória, estruturas associadas à autoconsciência, compaixão e introspecção.

Verificaram ainda uma diminuição da massa cinzenta na amígdala cerebral, o conjunto de núcleos neuronais nos lobos temporais, relacionados com a diminuição do estresse. Contudo, nenhuma destas alterações foi observada no grupo de controle dos restantes voluntários, ou seja, nos que não praticaram meditação.

Segundo o grupo de investigação, os resultados mostram a plasticidade do cérebro e como, mediante a meditação, este se molda e altera, de forma a aumentar o nosso bem-estar e a nossa qualidade de vida. Os avanços abrem portas para novas terapias para pacientes que sofram graves problemas de estresse e estresse pós-traumático, por exemplo.

 

Elegância do Comportamento

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Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do  comportamento.

Um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. Possível detectá-la em pessoas pontuais. 

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer…

Elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. Muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.  É elegante o silêncio, diante de uma rejeição….

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.

É elegante a gentileza… Atitudes gentis falam mais que mil imagens… Abrir a porta para alguém…é muito elegante. Dar o lugar para alguém sentar…é muito elegante. Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma… Oferecer ajuda…é muito elegante Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante.

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver , que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”. Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.

Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.

(Toulouse Lautrec)

A chave para a felicidade nesta vida

Recordar que somos almas, que somos imortais e que existimos sempre, num vasto oceano de energia, é a chave para a alegria e para a felicidade. Nesse oceano energético, uma legião de espíritos-guia nos levam a seguir o caminho a que estamos destinados, nossa jornada de evolução até a consciência de Deus. Não estamos competindo com outras almas. Temos nosso próprio caminho e elas têm o delas. Não há disputa, somos companheiros de jornada cooperando, dirigindo-se para a luz da consciência. Almas mais avançadas ou evoluídas voltam por amor e compaixão para ajudar aquelas  que estão mais atrás.  A última alma a completar a jornada não vale menos do que a primeira.

Um problema peculiar desta escola que chamamos de Terra é que aqui é muito difícil lembrar que somos almas e não corpos físicos. Constantemente somos distraídos pelas ilusões e desilusões deste planeta tridimensional. Ensinaram para nós que dinheiro, poder, prestígio e bens materiais são extremamente importantes e mesmo o objetivo de nossas vidas. Ensinaram que devemos conquistar o afeto dos outros e seu respeito, para sermos felizes. E nos disseram que ser sozinho é ser infeliz.

Na verdade, somos criaturas imortais que nunca morrem e que nunca são separadas daqueles que amamos. Temos almas gêmeas e famílias espirituais eternas. Somos sempre guiados e amados por nossos espíritos-guia. Nunca estamos sós.

Não levamos nossas coisas conosco, quando morremos. Levamos nossas ações, frutos da sabedoria de nossos corações. Quando despertamos outra vez para o conhecimento de que somos criaturas espirituais, nossos valores se modificam e finalmente podemos conquistar a paz e felicidade.

(Do livro “A Divina Sabedoria dos Mestres” de Brian Weiss)

Afinidade

AFINIDADE não é o mais brilhante, mas é o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. Não importa o tempo, a ausência, os adiantamentos, a distância, as impossibilidades.

Quando há AFINIDADE, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto de onde foi interrompido.

AFINIDADE é não haver tempo mediante a vida. É a vitória do adivinhado sobre o real, do subjetivo sobre o objetivo, do permanente sobre o passageiro, do básico sobre o superficial.

Ter AFINIDADE é muito raro, mas quando ela existe, não precisa de códigos verbais para se manifestar. Ela existia antes do conhecimento, erradia durante e permanece depois que as pessoas deixam de estar juntas.

AFINIDADE é ficar longe, pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem, sensibilizam. AFINIDADE é receber o que vem de dentro com uma aceitação anterior ao entendimento.

AFINIDADE é sentir com. Nem sentir contra, sem sentir para. Sentir com e não ter necessidade de explicação do que está sentindo. É olhar e perceber.

AFINIDADE é um sentimento singular, discreto e independente. Pode existir a quilômetros de distância, mas é adivinhado na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.

AFINIDADE é retomar a relação no tempo em que parou. Porque ele (tempo) e ela (separação) nunca existiram. Foi apenas a oportunidade dada (tirada) pelo tempo para que a maturação pudesse ocorrer e que cada pessoa pudesse ser cada vez mais.

(Artur da Távola)